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Três Estações

Posso dizer que quero ver esta pessoa em breve. Muito em breve. Talvez esteja na hora de bancar o adolescente ansioso que nunca fui, e partir para uma aventura de verdade. Contudo, levo na minha bagagem o conforto de certa experiência que fará com que eu traga em mim, no mínimo, uma história para contar.
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Driftin’
Os sinos dos dias neste hemisfério anunciam a chegada do outono, mas, como em outros tempos, poucas são as mudanças a se perceber entre os tijolos destes trópicos. Porém em infinitas possibilidades moldam-se a esperança de um recomeço (ou de mais um passo).
Se para os amantes, a primavera e o verão são condutas de um varão em busca de campos mais férteis e belos. Eu conheci o lago espelhado de Narciso e vi que o doce sabor dos seus lábios consiste na expectativa alcançada. Aquela onde o gozo se faz em taças de abundancia silenciosa no intimo da meia-luz.
Num lento e sigiloso desnudamento do corpo e dos pensamentos, na entrega plena não apenas dos sentidos, mas também da alma.…

a frágil substância do orvalho

Apercebo-me pouco a pouco de que as palavras não são suficientes para conjugar os sonhos com o desejo. Há sempre muito mais nesta tentativa de ocultar a timidez nos abstractos instrumentos da melancolia. A solidão, apesar de lúcida, não deixa de ser opaca. Há muito que lhe adivinho os gestos e, neles, a exacta germinação da tristeza. O cansaço, por outro lado, tornou-se indissociável da singular cavalgada da indiferença. Do abandono. Refugio-me na subjectividade de um passado que apenas na memória se conserva. Já não tenho como recuperá-lo e, no entanto, é através dele que me mantenho atento à vertiginosa confusão dos relógios, mesmo sabendo que o silêncio deixou de acariciar a inconfundível substância do orvalho. ... Junnuz!... Encontro-te quase sempre nos equívocos parágrafos do vazio, entre a memória da utopia e a singular periferia das palavras em que tento adivinhar o teu sorriso. Às vezes, quando te aproximas da translúcida imagem da melancolia e te demoras na confluência dos espelhos…

A porta torta das interpretações

Para ser sincero, talvez essa curiosidade de descobrir os contornos do rosto deste rapaz tornou-me demasiadamente tenso. Não sou, contudo, nenhum leitor do silêncio e nem sempre os seus ventos soam ao meu favor. Nem mesmo a solidão, calejada já, define esta sensação.
Se não bastasse, minhas palavras já não mais vivem junto com as correntes da liberdade. Elas são pesadas e doloridas na insignificância de cada mísera letra. Descubro, talvez, que eu seja muito mais do que imaginei ser, mas o “muito mais” não representa necessariamente “mais”... pode ser que no final tudo não passe de uma história a contar em contos. Pode ser que seja uma fantasia compartilhada a se findar em um dia qualquer.
Mas, se é assim, porque as rosas dos ventos desabrocharam-se, surpreendendo-me em seus rubros contornos? Será que ela é a transmaterialização de um desejo deste sonhador ou a constatação de uma esperança? Talvez nem uma das duas coisas...

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Driftin’
Creio não ter a maturidade que um dia pensei ter. Nã…

quase monossílabos

Não faço amigos com facilidade. Não costumo encontrar por aí quem se refugie na substância do silêncio, quando os dias principiam a confrontar-se com os desígnios da monotonia. Com os parâmetros da rotina. É-me difícil permanecer acantonado num recanto da realidade, quando os sonhos continuam a desafiar-me e as ilusões se perspectivam na lucidez da memória. Procuro, em todo o caso, conjugar as emoções em redor do infinito onde as imagens se materializam. Onde a penumbra é, ela própria, o mais complexo dos labirintos. Limito-me, por isso, a convocar as palavras com que me projecto no vazio. Com o objectivo, é certo, de partilhar os factos e os gestos, mas sempre consciente da genuína impraticabilidade dessa alegria que continua a ser-me estranha. Tudo porque prefiro prosseguir pelos atalhos do inatingível!... ... Junnuz!... Era um dia sem grandes referências - apenas mais um na previsível rotina dos calendários. Nesse tempo, contudo, ainda não sabia que as palavras podem ser a mais perfeita…

O mar

Penso tanta coisa que mal consigo organizar-me. Devo estar exausto! Mas, não consigo para que questionar-me. Será este rapaz a personificação da proposta de afrodite? Ou um jovem, como eu, a desaventurar-se pelos caminhos desconhecidos da vida? Afinal, seriam estas cinzentas tardes de isolamento, cujos castigos tem feito da minha alma algo vazio a ponto de buscar no outro as respostas da vida?... Só posso estar atravessando uma tormenta como nunca antes imaginei passar. Mas, lê-lo, de algum modo, acalma este mar e afasta os demônios. Pode ser uma ilusão. Caso assim seja, sinto-me muito bem com ela, mesmo que por apenas alguns instantes. A presença deste rapaz, figurada em algumas palavras, modifica o horizonte das perspectivas. De fato, pode ser uma rosa dos ventos, a me guiar ou a guiarmos. Resta-me saber para onde.
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Driftin’
Hoje lhe escreveria apenas para dizer boa noite, pois já é tarde, e o dia foi demasiado longo, demasiado pesado. Apenas o sono não vem. E questiono-me sobr…

rosa-dos-ventos

Mais um dia que se esgota. Longo, que os dias já se demoram bem para lá do crepúsculo. Apetece subtrair uns minutos ao tempo que ainda resta e ficar ali bem perto, entre a sombra e o vazio, procurando distinguir os rumores que trazem a noite e o silêncio. Talvez o cansaço não demore, mas enquanto ele se esquiva às arestas da vontade, sabe bem permanecer em conjunção com a brisa e com o cheiro das maçãs. Os sentidos já se habituaram aos sinais que anunciam a floração das palavras sobre a própria solidão. Nenhum ofício se compara a esta liberdade subitamente adquirida. .... Os passos aproximaram-se, inconfundíveis. A mão estendeu-se no tecer de uma carícia. Um sorriso transparente atravessou a penumbra, e o abraço, bem firme, tinha o sabor da alegria e a força da eternidade! ... Junnuz!... Centenária, com os ramos a treparem pelas vertentes do tempo e a sombra a alargar-se até à periferia do verão, a árvore foi-se tornando indissociável das linhas da memória, desde que a adolescência era apena…

O começo da construção de uma ponte

Como pode ser este rapaz dono de tal placidez? Suas palavras não sucumbem nem aos meus desafios... será mesmo um rapaz ou um espírito de ancião preso no corpo de narciso? Ele rompe a barreira do convencional e tenta me dizer nas entrelinhas das palavras as respostas que tanto procurei. Devo ser eu um analfabeto dos gestos!?
Estaria eu sendo petulante? Mas eu consigo sentir algo inusitado, algo especial! Percebo uma beleza serena em cada palavra. Elas me fazem sentir a ternura do gesto se delineando no meu corpo, mas seria eu um tolo se pensasse que tal nobre pessoa (afinal, pra exibir nobres palavras, um nobre de coração deve ser!) pudesse nutrir sentimentos nobres por mim.
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Driftin!
Tuas perguntas parecem ser tênues insinuações. Contraditórias ou, talvez, tristes (ou nem uma coisa nem outra). Ou quem sabe são as insinuações dos caminhos pelos quais percorreu... Notar que eles podem ter lhe servido para encontrar a ti mesmo, mas não me encontraria por lá... Nenhuma das mi…