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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2010

rosa-dos-ventos

Mais um dia que se esgota. Longo, que os dias já se demoram bem para lá do crepúsculo. Apetece subtrair uns minutos ao tempo que ainda resta e ficar ali bem perto, entre a sombra e o vazio, procurando distinguir os rumores que trazem a noite e o silêncio. Talvez o cansaço não demore, mas enquanto ele se esquiva às arestas da vontade, sabe bem permanecer em conjunção com a brisa e com o cheiro das maçãs. Os sentidos já se habituaram aos sinais que anunciam a floração das palavras sobre a própria solidão. Nenhum ofício se compara a esta liberdade subitamente adquirida. .... Os passos aproximaram-se, inconfundíveis. A mão estendeu-se no tecer de uma carícia. Um sorriso transparente atravessou a penumbra, e o abraço, bem firme, tinha o sabor da alegria e a força da eternidade! ... Junnuz!... Centenária, com os ramos a treparem pelas vertentes do tempo e a sombra a alargar-se até à periferia do verão, a árvore foi-se tornando indissociável das linhas da memória, desde que a adolescência era apena…

O começo da construção de uma ponte

Como pode ser este rapaz dono de tal placidez? Suas palavras não sucumbem nem aos meus desafios... será mesmo um rapaz ou um espírito de ancião preso no corpo de narciso? Ele rompe a barreira do convencional e tenta me dizer nas entrelinhas das palavras as respostas que tanto procurei. Devo ser eu um analfabeto dos gestos!?
Estaria eu sendo petulante? Mas eu consigo sentir algo inusitado, algo especial! Percebo uma beleza serena em cada palavra. Elas me fazem sentir a ternura do gesto se delineando no meu corpo, mas seria eu um tolo se pensasse que tal nobre pessoa (afinal, pra exibir nobres palavras, um nobre de coração deve ser!) pudesse nutrir sentimentos nobres por mim.
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Driftin!
Tuas perguntas parecem ser tênues insinuações. Contraditórias ou, talvez, tristes (ou nem uma coisa nem outra). Ou quem sabe são as insinuações dos caminhos pelos quais percorreu... Notar que eles podem ter lhe servido para encontrar a ti mesmo, mas não me encontraria por lá... Nenhuma das mi…

no limiar da distância

É na margem mais antiga do silêncio que as palavras voltam a percorrer as vertentes da memória. Infatigáveis, como que pretendendo beber uma a uma, as inevitáveis sílabas da distância. São muito ténues os indícios de uma alegria que não se demora no olhar - que tenta romper a penumbra que se espraia pelas esquinas da incerteza, ou que procura aperceber-se do rumo do pensamento através das ilusões. Mas a ausência de um sorriso também se esboça nessas mãos em cujos dedos se aconchega o coração do tempo. Em cujas linhas se esgotaram as promessas!... ... Junnuz!... Quantas vezes procurei por ti nos improváveis caminhos do silêncio?! Quantas vezes os nossos olhos se demoraram na contemplação da ternura e no prolongamento do desejo?!... Sei - isso sei - que os nossos passos raramente sucumbiram à vontade de percorrer em círculos concêntricos, a distância que sempre se interpôs entre o outono e a tímida confluência dos sentidos. Os gestos, talvez receosos de que alguém os pudesse reduzir à perdulá…

A chave

Ele escreveu! Sim! Ele vivo está! Surpreendo-me como tais palavras trouxeram certo tom rubro ao meu rosto. Mas qual será a cor dos olhos deste devaneio? Será que combinam com os meus? Não entendo como são tão pesadas tais palavras, mas são tão doces e aconchegantes também...
Preciso responder, mas o que dizer? O que dizer para esta corrente fluida e turva de águas inconstantes? Dessa vez, porém, ele prometera algo, devo eu confiar no senhor dos ventos? Devo eu confiar nos meus sentido e desejos? Quantas perguntas... meu Deus, devo ficar louco em breve!
Mas, se ele chegou no meu castelo, deve ter sentido o perfume dos meus gestos. E se sonhos rodam as noites deste rapaz, quem sabe não possa um dia tomar um chá comigo? Sim! Eu sei o que escrever agora! Sobre a vida, é obvio! Mas, sobretudo escreverei sobre os sonhos, com uma pitada de provocação!
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Driftin’
Devo dizer que tenho a resposta para o teu enigma, ou melhor, eu tenho a resposta daquilo que não foi, mas, mesmo assim, não …

metáforas e perplexidades

As palavras não podem remediar a passagem do tempo. Não têm como reconstruir a realidade dos dias que se foram. As dimensões paralelas não têm porta de entrada. Se calhar nem têm forma. Não é difícil assimilar a ideia da ausência da distância. Não é!... O que se torna complicado é acondicionar a tristeza no vazio sem medida em que o peito se transformou. Isso, porém, já foi chão que as lágrimas regaram pouco antes de secarem. Fosse a ubiquidade possível e jamais os condicionalismos haveriam de conjugar-se. Porque o não é, resta a tentativa de entender a angústia - de lhe adivinhar o percurso e os estragos que vai causando. O abraço há-de ser longo. Do tamanho do silêncio em que cabe a solidão!... ... Junnuz!... Não sei - não tenho qualquer ideia minimamente concreta sobre o que aconteceu - se tudo não passou de um sonho. Ali, de súbito, como se o imprevisto tivesse deixado de ser uma abstracção, dei por mim a percorrer os escassos metros que me separavam do castelo de cristal. Não fui capaz …

A curva

Dizer que sou obcecado, louco, um incorrigível renegado ou algo do gênero seria pouco, talvez. Muitas são as palavras que podem chocar contudo, ainda mais em um mundo onde a estética dita as regras da intolerância. Enquanto isso tentamos lutar contra nossos próprios preconceitos. Buscamos encontrar a ovelha negra dentro de nós sem com isso deixar de dizer bom-dia aos vizinhos. Os meus “bons-dias” costumam ser sinceros, mesmo quando estou de mal-humor.
Hoje contudo, deu-me uma vontade imensa de escrever. Mas ele é um fantasma agora, ou seria a alegoria da esperança? Acredito naquilo que consigo e consigo ouvir suas músicas! Vai lá... completam-se praticamente dois anos desde a última notícia daquele rapaz... Um feliz aniversário não deve machucar muito o silencio que se perpetua entre nós. Vou escrever para ele.

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Driftin’
Um dia, há mais de dois anos decidi escrever-te. Agora, completa-se quase dois anos que não mais tenho notícias tuas. Foi rápido, e…