rosa-dos-ventos

 
 
Mais um dia que se esgota. Longo, que os dias já se demoram bem para lá do crepúsculo.
 
Apetece subtrair uns minutos ao tempo que ainda resta e ficar ali bem perto, entre a sombra e o vazio, procurando distinguir os rumores que trazem a noite e o silêncio. Talvez o cansaço não demore, mas enquanto ele se esquiva às arestas da vontade, sabe bem permanecer em conjunção com a brisa e com o cheiro das maçãs.
 
Os sentidos já se habituaram aos sinais que anunciam a floração das palavras sobre a própria solidão. Nenhum ofício se compara a esta liberdade subitamente adquirida.
 
....
 
Os passos aproximaram-se, inconfundíveis. A mão estendeu-se no tecer de uma carícia. Um sorriso transparente atravessou a penumbra, e o abraço, bem firme, tinha o sabor da alegria e a força da eternidade!
 
...
 
Junnuz!...
 
 
Centenária, com os ramos a treparem pelas vertentes do tempo e a sombra a alargar-se até à periferia do verão, a árvore foi-se tornando indissociável das linhas da memória, desde que a adolescência era apenas uma ave a espreitar o primeiro voo no limiar da sua própria indecisão.
 
Um dia, quando a neve se acumular nos parapeitos, hei-de levar-te a conhecer o meu país. Todos aqueles lugares que guardei no baú onde as recordações se acumularam por entre as teias do passado. Onde o silêncio se estabeleceu, porque as palavras jamais tiveram retorno!...
 
Haveremos de percorrer as colinas e os recantos da cidade transparente, antes que a bruma lhes desvirtue o perfil. E desvendar os caminhos muito antigos de um lugar lá mais ao norte, onde os sorrisos aprenderam a desenhar-se nos lábios ainda ingénuos.
 
Ali, onde os cedros não existem, onde as searas e os pinhais ainda conservam o cheiro e a tranquilidade, partilharemos os gestos do amor e da ternura que nos hão-de incendiar os sentidos.
 
 
driftin'
 

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