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A mostrar mensagens de Março, 2010

a frágil substância do orvalho

Apercebo-me pouco a pouco de que as palavras não são suficientes para conjugar os sonhos com o desejo. Há sempre muito mais nesta tentativa de ocultar a timidez nos abstractos instrumentos da melancolia. A solidão, apesar de lúcida, não deixa de ser opaca. Há muito que lhe adivinho os gestos e, neles, a exacta germinação da tristeza. O cansaço, por outro lado, tornou-se indissociável da singular cavalgada da indiferença. Do abandono. Refugio-me na subjectividade de um passado que apenas na memória se conserva. Já não tenho como recuperá-lo e, no entanto, é através dele que me mantenho atento à vertiginosa confusão dos relógios, mesmo sabendo que o silêncio deixou de acariciar a inconfundível substância do orvalho. ... Junnuz!... Encontro-te quase sempre nos equívocos parágrafos do vazio, entre a memória da utopia e a singular periferia das palavras em que tento adivinhar o teu sorriso. Às vezes, quando te aproximas da translúcida imagem da melancolia e te demoras na confluência dos espelhos…

A porta torta das interpretações

Para ser sincero, talvez essa curiosidade de descobrir os contornos do rosto deste rapaz tornou-me demasiadamente tenso. Não sou, contudo, nenhum leitor do silêncio e nem sempre os seus ventos soam ao meu favor. Nem mesmo a solidão, calejada já, define esta sensação.
Se não bastasse, minhas palavras já não mais vivem junto com as correntes da liberdade. Elas são pesadas e doloridas na insignificância de cada mísera letra. Descubro, talvez, que eu seja muito mais do que imaginei ser, mas o “muito mais” não representa necessariamente “mais”... pode ser que no final tudo não passe de uma história a contar em contos. Pode ser que seja uma fantasia compartilhada a se findar em um dia qualquer.
Mas, se é assim, porque as rosas dos ventos desabrocharam-se, surpreendendo-me em seus rubros contornos? Será que ela é a transmaterialização de um desejo deste sonhador ou a constatação de uma esperança? Talvez nem uma das duas coisas...

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Driftin’
Creio não ter a maturidade que um dia pensei ter. Nã…

quase monossílabos

Não faço amigos com facilidade. Não costumo encontrar por aí quem se refugie na substância do silêncio, quando os dias principiam a confrontar-se com os desígnios da monotonia. Com os parâmetros da rotina. É-me difícil permanecer acantonado num recanto da realidade, quando os sonhos continuam a desafiar-me e as ilusões se perspectivam na lucidez da memória. Procuro, em todo o caso, conjugar as emoções em redor do infinito onde as imagens se materializam. Onde a penumbra é, ela própria, o mais complexo dos labirintos. Limito-me, por isso, a convocar as palavras com que me projecto no vazio. Com o objectivo, é certo, de partilhar os factos e os gestos, mas sempre consciente da genuína impraticabilidade dessa alegria que continua a ser-me estranha. Tudo porque prefiro prosseguir pelos atalhos do inatingível!... ... Junnuz!... Era um dia sem grandes referências - apenas mais um na previsível rotina dos calendários. Nesse tempo, contudo, ainda não sabia que as palavras podem ser a mais perfeita…

O mar

Penso tanta coisa que mal consigo organizar-me. Devo estar exausto! Mas, não consigo para que questionar-me. Será este rapaz a personificação da proposta de afrodite? Ou um jovem, como eu, a desaventurar-se pelos caminhos desconhecidos da vida? Afinal, seriam estas cinzentas tardes de isolamento, cujos castigos tem feito da minha alma algo vazio a ponto de buscar no outro as respostas da vida?... Só posso estar atravessando uma tormenta como nunca antes imaginei passar. Mas, lê-lo, de algum modo, acalma este mar e afasta os demônios. Pode ser uma ilusão. Caso assim seja, sinto-me muito bem com ela, mesmo que por apenas alguns instantes. A presença deste rapaz, figurada em algumas palavras, modifica o horizonte das perspectivas. De fato, pode ser uma rosa dos ventos, a me guiar ou a guiarmos. Resta-me saber para onde.
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Driftin’
Hoje lhe escreveria apenas para dizer boa noite, pois já é tarde, e o dia foi demasiado longo, demasiado pesado. Apenas o sono não vem. E questiono-me sobr…