A porta torta das interpretações



Para ser sincero, talvez essa curiosidade de descobrir os contornos do rosto deste rapaz tornou-me demasiadamente tenso. Não sou, contudo, nenhum leitor do silêncio e nem sempre os seus ventos soam ao meu favor. Nem mesmo a solidão, calejada já, define esta sensação.

Se não bastasse, minhas palavras já não mais vivem junto com as correntes da liberdade. Elas são pesadas e doloridas na insignificância de cada mísera letra. Descubro, talvez, que eu seja muito mais do que imaginei ser, mas o “muito mais” não representa necessariamente “mais”... pode ser que no final tudo não passe de uma história a contar em contos. Pode ser que seja uma fantasia compartilhada a se findar em um dia qualquer.

Mas, se é assim, porque as rosas dos ventos desabrocharam-se, surpreendendo-me em seus rubros contornos? Será que ela é a transmaterialização de um desejo deste sonhador ou a constatação de uma esperança? Talvez nem uma das duas coisas...


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Driftin’

Creio não ter a maturidade que um dia pensei ter. Não sou mais um garoto entre seus contornos de desenhos e ansiedades fáceis. Tampouco sou um homem capaz de lidar com esta máquina de devorar expectativas.

Descobri a duras penas que o passado está para o presente assim como o orvalho está para o verão: ele não existe mais, mas deixou na terra a fecunda vontade de sorrir para o dia que se pode formar... não se trata, portanto, daquilo que alguns denominariam de futuro... falemos das possibilidades, sim?

O orvalho marca a pele com as horas vividas, mas, a vida se enche com a vontade de fazer algo a mais, mesmo que o “a mais” seja o cotidiano de um dia após o outro... Bons dias chuvosos.

Sei que não sou mais um menino e os gestos não são mais tão fáceis de entender. São os sabores do desconhecido, entre essa vontade que parece brincar com nossas responsabilidades...

Quem és tu? Pois se viu os contornos do meu sorriso não pode ter sido de outra maneira à não ser dentro de um devaneio. Por favor, conte-me sobre tuas impressões, pois elas devem ser perfeitas... algo que não sou.

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