a frágil substância do orvalho
Apercebo-me pouco a pouco de que as palavras não são suficientes para conjugar os sonhos com o desejo. Há sempre muito mais nesta tentativa de ocultar a timidez nos abstractos instrumentos da melancolia. A solidão, apesar de lúcida, não deixa de ser opaca. Há muito que lhe adivinho os gestos e, neles, a exacta germinação da tristeza. O cansaço, por outro lado, tornou-se indissociável da singular cavalgada da indiferença. Do abandono. Refugio-me na subjectividade de um passado que apenas na memória se conserva. Já não tenho como recuperá-lo e, no entanto, é através dele que me mantenho atento à vertiginosa confusão dos relógios, mesmo sabendo que o silêncio deixou de acariciar a inconfundível substância do orvalho. ... Junnuz!... Encontro-te quase sempre nos equívocos parágrafos do vazio, entre a memória da utopia e a singular periferia das palavras em que tento adivinhar o teu sorriso. Às vezes...